quarta-feira, 4 de maio de 2016

O DIÁRIO DA MARIPOSA - RACHEL KLEIN


Titulo: O Diário da Mariposa
Autora: Rachel Klein
Tradução: Cassius Medauar
Editora: Planeta
Ano: 2012
Páginas: 336











"-Então não há razão para continuar vivendo. A vida não tem sentido. Não existe nenhum significado em nada. Por que vamos viver se simplesmente iremos morrer no final?"

O Diário da Mariposa, como o próprio nome sugere, é um diário de uma garota de 16 anos que vive em um internato nos anos 60. Neste diário ela conta sobre alguns de seus pensamentos, fatos que ocorreram durante o dia e algumas de suas lembranças. O nome da personagem é desconhecido durante toda a história, e isso é um ponto muito curioso no livro, porém é muito bem construído pela autora e não apresenta falhas em momento algum.

Logo no início do livro notamos que a protagonista é uma pessoa que possui uma vida bem conturbada e traumática e, além disso, tem alguns problemas psicológicos. Ela é um tanto depressiva na escrita do diário e sua dor e mágoa sempre são bem notáveis.

"Senti um vazio no estômago que se espalhou pela minha garganta e para o fundo dos meus olhos. Não chorei, apesar de que provavelmente teria me sentido melhor depois. Precisava me agarrar àquele sentimento, àquela dor."

A história familiar da protagonista é bem triste. Seu pai era poeta e cometeu suicídio. Sua mãe, que é artista, não consegue lidar com essa mágoa e por isso coloca a protagonista no internato.

No início ela tem bastante dificuldade para se adaptar ao internato devido a sua religião (ela é judia) e o acontecimento com seu pai, mas com o passar do tempo faz muitas amigas, e entre elas Lucy é a mais próxima.

O enredo se desenvolve a partir da chegada de Ernessa Bloch no internato. Ernessa também é judia, e isso é algo em comum entre ela e a protagonista, pois são as únicas judias no internato. Entretanto, Ernessa é um tanto sinistra e possui hábitos diferentes, e isso causa uma certa perturbação em nossa protagonista.

Ernessa logo se aproxima muito de Lucy, o que deixa a protagonista absurdamente enciumada, pois vê sua melhor amiga se afastando cada vez mais e a trocando pela nova aluna.

O suspense do livro começa quando a protagonista começa a descrever acontecimentos bizarros nos quais Ernessa sempre parece estar envolvida. Para a protagonista, tudo indica que a nova aluna é uma vampira, e ela busca cada vez mais respostas sobre isso. Ao falar com suas outras amigas sobre esses pensamentos, elas acham apenas que tudo isso não passa de implicância e paranoia por Ernessa estar tão amiga de Lucy, mas isso não faz a protagonista desistir de suas ideias e ela continua buscando provas de que está certa.

Realmente, as coisas relatadas sobre Ernessa me deixaram muito em dúvida, pois, de acordo com o que sei sobre vampirismo, tudo indica que ela é uma vampira, mas o tempo todo a história nos deixa com aquela sensação de "SERÁ?".

Ao terminar o livro ainda continuei com essa dúvida, e isso é algo que me intrigou bastante, pois sou muito curiosa (hahaha), mas o modo como a autora aborda esse assunto de vampirismo é algo realmente cativante, pois é bem diferente da literatura sobre vampiros que eu (e acredito que os demais leitores também) estou acostumada.


"Um vampiro tem sentimentos?
Você pode ser mau se estiver sozinho no mundo?
O que é a morte para alguém que morreu e ainda guarda aquela memória?"

Uma coisa que gostei muito no livro é que durante toda a história há diversas referências a autores e obras clássicas artísticas, literárias e filosóficas. Outro ponto que eu, particularmente, gosto muito nos livros é conhecer um pouco mais sobre diversos contextos históricos, e O Diário da Mariposa narra os anos 60 do ponto de vista de uma adolescente, além de mostrar diversos costumes da época, como roupas, comportamentos, pensamentos em relação a drogas e relações amorosas e sexuais, entre outros.

Em questão de aspecto do livro, sempre vi muitas críticas ruins sobre a capa. Eu não acho a capa feia, mas também não é uma das mais bonitas da minha estante. As folhas são amareladas e as letras e o espaçamento maiores tornam a leitura menos cansativa, de um modo que a leitura flui bem. Cada mês do diário possui uma ilustração de mariposa diferente tanto na página que separa os meses quanto no cantinho inferior ao lado da enumeração da página.

 

Esse sem dúvidas é um dos meus livros favoritos e super recomendo a todos, principalmente a aqueles que gostam de um bom suspense.

Espero que tenham gostado, pessoal. Até mais! ;)
"Decidi que a vida tem um sentido, afinal. Há muita beleza à nossa volta. Cabe a nós descobrirmos isso e darmos sentido às nossas existências." 

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